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Notícia

Agente da Lei Seca é exemplo de superação de vida

Por Bete Nogueira

Daniela Fernandes é uma dos 28 agentes da Lei Seca que trabalham no setor educativo, formado por cadeirantes que contam suas histórias em palestras e bares. Todos perderam os movimentos das pernas em consequência de acidentes de trânsito em que ao menos um dos envolvidos estava alcoolizado. O trauma de ficar paraplégica, às vésperas de completar 23 anos, é superado, dia após dia, ao cumprir a missão de passar adiante a lição de nunca misturar álcool e direção.

Com 37 anos e há sete trabalhando como agente, Daniela divide seu tempo entre esse trabalho e os treinos como paratleta de atletismo. Também já fotografou e desfilou como modelo e até participou de um clipe musical. Para ela, uma das grandes motivações para retomar sua vida foi entender a importância do seu trabalho na Operação Lei Seca.

– Gosto muito de dar palestras. No final, sempre vem alguém me dizer que recebeu uma lição. Certa vez, estava no shopping e um senhor veio me cumprimentar, junto com a filha. Ele me contou que mudou sua forma de levar a vida por causa da menina. Houve uma palestra na escola e toda vez que a garota via o pai beber e dirigir, ela o lembrava das palavras da tia Dani. A esposa, que não bebe, voltou a fazer autoescola para assumir o volante quando necessário. É gratificante, nenhum dinheiro paga ouvir isso – disse a agente.

Daniela trabalhava em um escritório na época em que sofreu o acidente de carro. Ela estava de carona com o ex-noivo, que dirigia alcoolizado. Enquanto ela teve que passar por 22 dias de coma e 25 cirurgias, ele só sofreu arranhões.

– Quando conto a minha história, às vezes me emociono, me lembro das situações difíceis. Quando olhavam para mim, achava que era por pena. Hoje, me acho bonita. E vejo a cadeira de rodas como o meu acessório necessário. Ela não me limita: ela me leva – contou.

 

Inspiração

A inspiração para fazer parte do time de agentes da Operação Lei Seca surgiu ao presenciar o trabalho da equipe em um evento.

– Foi bem difícil no começo, ainda mais na primeira vez em que fui dar uma palestra. Mas hoje não consigo me ver sem esse trabalho – afirmou.

Outro aspecto importante na vida da agente é o esporte. Ela é paratleta da equipe de arremesso de peso e lançamento de dardo do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da Polícia Militar. O esporte a ajudou a ser mais dinâmica na rua e mais independente em casa. Ela participou do preparatório para os Jogos Paralímpicos Rio 2016 e ganhou medalha de prata no Rio Open daquele ano, mas como teve pouco tempo de treino, não atingiu o índice para a Paralimpíada carioca. Agora, Daniela está focada nos treinos para representar o Brasil nos Jogos de Tóquio 2020.

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